“Vozes da Floresta” retrata uma memória da luta de Chico Mendes, sob a retina histórica de Valdiza Alencar, Cecília Mendes e Lucélia Santos, três mulheres da Resistência. De seu lugar privilegiado na trama, as três entremeiam suas pungentes narrativas à voz do próprio Chico Mendes, fio condutor no relato da história coletiva do movimento de resistência dos seringueiros acreanos, que é, em essência, a sua própria história.
Organizada em três atos, a partir de áudios originais e inéditos de Chico Mendes, gravados e preservados pela atriz Lucélia Santos por mais de três décadas, a peça — criada especialmente para a interpretação de Lucélia — destaca o protagonismo feminino na luta contra a destruição das florestas do Acre, desde a chegada dos “paulistas” (todo invasor vindo da região Sul, segundo os seringueiros), nos anos 1970, até o assassinato de Chico Mendes, em 22 de dezembro de 1988.
Nascida e criada no Seringal Carmen, localizado entre os municípios de Assis Brasil e Brasiléia, a seringueira Valdiza Alencar conduz a primeira parte da trama. Seu diálogo — por certo imaginário — com um jagunço contratado para desmatar a floresta expõe a face aguda do conflito agrário instalado pelo latifúndio no extremo oeste da Amazônia brasileira. Sua persistência em resistir à derrubada da floresta onde vivia e trabalhava serviu, e segue servindo, de exemplo para as gerações presentes e futuras.
Dramaturgia: Zezé Weiss
Concepção e Atuação: Lucélia Santos
Ator Convidado: Francisco Carvalho
Direção Musical, Composições e Piano: Leandro Braga
Cenografia e Figurinos: Kleber Montanheiro
Iluminação: Adriana Ortiz
https://www.instagram.com/vozesdaflorestaoficial/
ZEZÉ WEISS
Antropóloga. Jornalista. Escritora. É cidadã honorária de Formosa-GO, onde reside há 50 anos, e tem por pátria afetiva o Acre de Chico Mendes. Graduada em jornalismo socioambiental pela New York University, escreve sobre as causas e movimentos sociais. Autora do livro “Vozes da Floresta – Biografia Coletiva de Chico Mendes”, acompanha, apoia e produz seus escritos sobre o movimento dos seringueiros do Acre desde os anos 70. Especialista Sênior em Sociedade Civil e Desenvolvimento Social pelo Banco Mundial, produziu em 2018 a exposição “Chico Mendes Herói do Brasil”, no Museu Nacional de Brasília, que segue aberta ao público em caráter permanente.
LUCÉLIA SANTOS
Protagonizou muitas novelas que hoje são clássicos da teledramaturgia e fazem parte do patrimônio cultural brasileiro. No cinema virou musa e amiga do escritor Nelson Rodrigues. Em toda a sua carreira, foi vencedora de diversos prêmios. Recentemente estreou no cinema “A Serpente”, ao lado de Matheus Nachtergaele, com direção de Jura Capela. Em 2022 a atriz comemorou 50 anos de carreira profissional.
LEANDRO BRAGA
Acumula em sua carreira 3 Prêmios Sharp, indicação ao Grammy Latino e Prêmio Rival Petrobrás. Foi diretor musical, pianista e arranjador de Ney Matogrosso por 12 anos e de Simone por 6 anos. Trabalhou com nomes como Leila Pinheiro, Milton Nascimento, Elba Ramalho, Chico Buarque, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Sérgio Ricardo, e muitos outros.
ADRIANA ORTIZ
Iluminadora indicada ao Prêmio Cesgranrio, a dois prêmios Shell no Rio e em São Paulo, e dois prêmios APTR. Tem prêmios como o APTR/RJ 2017 de melhor iluminação e o Reverência 2018 pelo musical “Romeu e Julieta”.
Com 25 anos de êxito na profissão, realizou trabalhos em diversos espetáculos de teatro, ópera e musicais. Nos últimos anos se especializou como diretora técnica, participando de importantes realizações do mercado cultural em todo Brasil.
KLEBER MONTANHEIRO
Multiartista com 28 anos de carreira, é diretor cênico, cenógrafo, figurinista, iluminador e artista visual. Indicado a mais de 25 prêmios em diversas categorias, ganhou o prêmio APCA em 2008 e 2012, o prêmio FEMSA em 2009, 2012 e 2013 e o prêmio São Paulo.

